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Marteladas
1. Mais um 10 de Junho passou: Dia de Portugal, de Camões, da Raça, da Pátria, da Lusitanidade, da Lusofonia, conforme os gostos e ideologias, que tudo se resume em recordar a identidade civilizacional portuguesa através do preito ...
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1. Mais um 10 de Junho passou: Dia de Portugal, de Camões, da Raça, da Pátria, da Lusitanidade, da Lusofonia, conforme os gostos e ideologias, que tudo se resume em recordar a identidade civilizacional portuguesa através do preito ao vate Luiz Vaz de Camões, cuja obra poética alcandorou a nossa Língua à consagração universal. Para a maior parte dos portugueses um dia feriado em que folgam as costas. Para poucos outros a obrigatoriedade do cerimonial oficial com discursos e medalhamentos, onde se realçam as qualidades portuguesas. Para muitos menos um momento de meditação sobre o que fomos, o que somos e para onde vamos. Um povo sem memória do passado não tem futuro. Perde as suas raízes culturais, esboroa a identidade própria e dissolve-se sem espaço nem tempo. Durante séculos, apesar da sua pequenez europeia, Portugal fez das tripas coração e “esbijou-se” em Império dilatado pelo Mundo fora. Hoje resta o quê? A Língua Portuguesa, traço de união e compreensão entre várias Nações e Comunidades em todos os continentes. Unificar o vocabulário em dicionário uniforme, mais do que impossível de realizar é canhestra tentativa de engaiolar a criatividade de quem a fala e a enriquece com terminologia inovadora de cada região. Estou com brasileiros de remota ancestralidade portuguesa. Falamos no assunto. «Nós lá no “Brasiu” não se preocupa com isso não, da uniformização da escrita. Ninguém bate-papo disso. A gente se fala e se entende “né”? Não precisa disso, não, de escrever tudo igual. Aprendi cá que estar em fileira para compra é bicha; lá é homossexual, coisa muito diferente. O que precisa é se falar, se compreender.» Sensata sentença, ponderei. Os nautas, militares, sacerdotes e comerciantes que expandiram a Língua Portuguesa pelo mundo fora, fizeram-no para a soltar e não para a aprisionar, tão cobiçosa de se enriquecer com novos espaços, novas culturas e novos léxicos como quem a transportava e dela fazia ponte de compreensão entre raças e credos diferentes. Penso ainda que esta ideia peregrina de tentar uniformizar a escrita da Língua Portuguesa, que não é apenas nossa e brasileira mas também cabo-verdiana, guineense, angolana, moçambicana, macaense, goesa e timorense bem como de todas as comunidades onde é falada nos vários continentes, é fruto de típica mentalidade “proto-facho-marxista” tendente ao engaiolamento de tudo quanto divirja, ou de pseudo-intelectuais que assim pretendem justificar os subsídios estatais que os sustentam. Deixem que a Língua Portuguesa continue livre a expandir-se e a enriquecer-se por esse Mundo além. Cavalo selvagem e livre que é, domá-la em dicionário uniforme é diminuí-la e tornar Portugal mais pequenino. 2.Até já o Dr. Mário Soares diz que Portugal «está tramado». Só agora? “Tarde piaste”, expressa a ironia popular. Quantas e quantas vezes deu loas a Sócrates, o grande primeiro-mi-nistro que temos!? 4. Para a imprensa alinhada e politicamente correcta, só há dois candidatos à presidência da República: Cavaco e Alegre. De vez em quando Fernando Nobre fura o bloqueio: «Se o primeiro-ministro ferir os altos interesses da nação, se pisar o risco, é demitido. Obviamente demito-o» _ pequeno destaque que o “C.M.”, de 16/06/2010, no interior da sua paginação dá a uma intervenção do médico humanista. Frase determinada e límpida, a relembrar a afirmação de Humberto Delgado, “o general sem medo”, quando se insurgiu contra a prepotência do ditador Salazar, feita por um cidadão livre e sem compromissos político-partidários que se candidata contra a corrupção do poder das altas esferas governativas. Tão nociva é para um povo a ditadura autocrática de um homem como a da corrupção do poder formalmente democrático.
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