Há mistérios fáceis de desvendar sem ser necessário recorrer à PJ para os deslindar, como é o caso de o Banco de Portugal afirmar que os funcionários públicos aumentaram em 2009 em relação a ano anterior e o governo negar a pés juntos que tal seja verdade, apresentando estatísticas a indicarem uma diminuição dos mesmos. Como se sabe, pelas leis orçamentais em vigor, por dois funcionários que abandonassem os serviços públicos apenas podia entrar um. Quem falta à verdade? O Banco não é, porque os paga e em questões de dinheiro é rigoroso, ao contrário do governo que tem por hábito mentir descaradamente. Só que neste caso à verdade do Banco contrapõe-se a mentira do governo, sustentada na meia verdade das estatísticas. Este, na mira de enganar Bruxelas com a aparente redução da despesa pública através de cortes na função pública, formou parcerias público-privadas e transformou departamentos da Administração Pública em sociedades anónimas e fundações, criando novos e chorudos cargos de gerência para correligionários e amigos. Com este truque de ilusionista principiante, o governo estatisticamente diminuiu o pessoal da função pública que aparentemente passou para sector alheio à Administração Pública. Aparentemente, porque o Estado continua a pagar-lhes os vencimentos através da rubrica orçamental serviços contratados a terceiros. Por estas e por outras é que estamos à beira da bancarrota. Facto de que o senhor primeiro-ministro só se apercebeu _ vejam lá o inocente! _ quando «há três se-manas» em Bruxelas lhe puseram a faca às goelas e o obrigaram a ver que «o mundo tinha mudado». Mas o homem mudou? Claro que não. Qualquer politiqueiro de meia-tigela sabe que se recupera do excessivo endividamento público, eliminando a despesa pública desmedida e não sobrecarregando de impostos uma sociedade empobrecida. E que um bom contributo para a quebra do défice externo e da despesa pública seria a extinção de ERC, ERSE, fundações isentas de impostos, parcerias pagas pelo Estado e de tantos outros organismos e comissões de préstimo duvidoso que não seja o de criar tachos para os apaniguados do poder. Mas, para o «senhor engenheiro relativo» _ como lhe chama Ribeiro Ferreira nas suas crónicas do “Correio da Manhã” _ a cura do mal está no aumento descabelado das receitas à custa do contribuinte teso e gemebundo e das pequenas e médias empresas esganadas pela Banca e à beira da falência. Assim a crise, acentuada pela incompetência governativa, só terá fim à vista quando o contribuinte, de língua de fora e de cotão nos bolsos cair extenuado por nada mais ter para dar. Isto se antes Bruxelas não nos deitar a mão, dando-nos o estatuto de protectorado, mesmo contra a vontade de Jerónimo de Sousa e de outros portugueses que ainda son-ham com a Pátria/Nação... O que não deixaria de ser um gesto tocado de recíproca generosidade se tivermos em conta a justificação que o primeiro-ministro deu ao povo português para o peso que lhe coloca na albarda. Diz ele, com a lata estanhada que Deus lhe deu para castigo nosso, que, estes sacrifícios que nos impõe, são para salvar a União Europeia subitamente atacada pelos especuladores financeiros e que, de euro tremelicante, está à rasca se não lhe acudirmos. (O senhor disse isto com ar muito sério, parecia que não estava a faltar à verdade e sou crédulo por natureza). Sendo assim, é um dever de so-lidariedade que Bruxelas providencie pela nossa salvação. Pode começar por nos livrar deste primeiro-ministro e dos amigos que colocou nas empresas de capitais do Estado, comprovadamente ao serviço dele e não do povo. Nós agradecemos...
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