As chamas estão a deixar sem dormir os moradores de Serém.
Um fogo, que atingiu grandes proporções na segunda-feira, perto das 10.30 horas continua até à hora de fecho desta edição, terça-feira, às 20 horas, com uma frente de incêndio activa.
Tudo indica que o incêndio seja dado como dominado dentro de poucas horas, mas já na segunda-feira ele foi dado como dominado e depois, ontem, terça de manhã, pouco depois das 10.30 horas houve uma reactivação.
Se a noite de segunda para terça-feira foi de alerta total para a população que, garante, não dormiu, a noite de terça para quarta não deve ser excepção.
Até ao fecho desta edição estavam envolvidos na operação de combate ao incêndio 41 homens, entre bombeiros e sapadores florestais, e 14 viaturas.
Na terça-feira, perto do meio dia foram ainda accionados dois aviões bombardeiros pesados Canadair.
Num comunicado, o Governador Civil de Aveiro diz que se supeita que “grande parte dos incêndios” que deflagram no distrito têm “origem criminosa” e “enaltece a capacidade de resitência e esforço heróico dos bombeiros e das forças que têm vindo a actuar no terreno”.
Fogo perto das casas assusta moradores
“Parecia o fim do mundo”. É assim que Paula Oliveira descreve o susto que apanhou ao ver as chamas tão próximas das casas, no lugar onde habita, em Serém de Baixo.
Foi na manhã de ontem, terça-feira que andou a ajudar os bombeiros a puxar as mangueiras, mas “graças a Deus” a situação foi controlada e não afectou nenhuma habitação.
“Até iam morrendo aqui três bombeiros. Foi por pouco que não ficaram ali presos nas chamas. Virou-se um camião dos bombeiros, nem é bom descrever, foi o pânico total”.
A pequena Dânia, de apenas três anos esteve sempre atenta ao desenrolar da situação, mas diz que teve muito medo dos aviões, que “faziam muito barulho” (dois Canadair que vieram ajudar nas operações). Até dos bombeiros tinha medo. “Eles estavam sempre a dizer que não queriam ninguém aqui. E do fogo também, eu tinha medo”. A avó da menina e a vizinha Paula Oliveira não dormiram de noite de segunda para terça-feira e “da maneira” que estão “a ver as coisas, há-de ser outra noite sem pregar olho. É que isto acalma, mas de repente reacende e volta o perigo”, contam.