Os portugueses nem sempre se preocuparam muito com a política, exceptuando em alguns acontecimentos históricos que lhes prendeu a atenção e os motivou para se interessarem com esses factos.
Mas, actualmente, nota-se e pressente-se que todo o português, do mais humilde e até iletrado, até ao mais culto e de destacada personalidade, se vem preocupando cada vez mais com a vida política e socio-económica do país.
Não é que não haja liberdade, que essa é total e ampla, que nem sempre é devidamente utilizada.
A questão é que o povo português, nas diferentes classes socio-profissionais e etárias, está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade familiar e com a perspectiva de um futuro que nada aponta para ser próspero e promissor.
Discute-se no Parlamento o Orçamento do Estado, que, para equilibrar o deficit do exercício, se propõem congelar salários, pensões de reforma, suspender a execução de obras prometidas na campanha eleitoral e provavelmente aumentar, alguns serviços e impostos.
Ora uma casa, uma empresa, uma instituição, governa-se, se a receita for superior à despesa.
No caso vertente português, se o Estado recolhe receitas inferiores à despesa - como está a acontecer e se prevê agravar - é claro que o exercício governativo é negativo.
Não se pode culpar só o Governo pelas más políticas aplicadas, porque noutros países a situação é pouco melhor.
As pessoas habituaram-se a consumir e a viver para além das suas possibilidades.
Não custa pagar com cheques e cartões de crédito, mas depois, sim, depois, no fim do mês, as contas dos bancos estão no vermelho e as aflições familiares aumentam. Não basta só produzir e poupar, quando alguns, muitos, gastam mais do que produzem.
Há que investir, na modernização tecnológica, embora isso diminua os postos de trabalho mas compensa economicamente.
Há que dimensionar e apoiar as empresas com perspectivas nacionais mas essencialmente internacionais.
Há que ter a coragem de adaptar a legislação do trabalho á realidade portuguesa.
Há que vigiar as baixas fraudulentas e os subsídios de desemprego, que levam quase todas as reservas da Segurança Social e proporcionam que essas pessoas não contribuam com os descontos que lhe competem, se trabalhassem.
Aumentar os subsídios de desemprego parece ser uma medida social justa, mas no caso dos povos latino-ibéricos está provado que quanto maior for o subsídio de desemprego mais desempregados há e mais se agrava a situação financeira do país.
Os partidos da dita esquerda defendem o aumento de todos estes subsídios, só por demagogia e porque nunca foram nem serão Governo.
Mas o Governo tem de ser firme e tomar medidas, que podem ser impopulares, mas visem a estabilidade do país e a recuperação da sua economia. Porque sem empresários não há empresas. E sem empresas rentáveis não há traba-lhadores.
Os empresários e o país precisam de trabalhadores válidos e competentes, mas aqueles só têm trabalho se os empresários lhes proporcionarem ocupação.
E é este binómio empresa/trabalhador em que deve assentar o esquema da rentabilidade empresarial, para que a crise seja vencida e Portugal retome, com celeridade, o rumo da recuperação, para que a chaga do desemprego diminua e se perspective um futuro melhor.
Não é com subida de impostos que a situação se resolve, antes pelo contrário, porque daqui a mais, a continuar-se assim, não há onde ir buscar verbas para equilibrar a balança de pagamentos não só do Estado, como das empresas.
Trabalho; empreendorismo; novas tecnologias; revisão das leias laborais; contenção nos subsídios de desemprego; diminuição dos salários dourados aos grandes gestores das empresas públicas; travar as importações asiáticas que agravam o desemprego; apoio às exportações; coordenação empresarial, económica e social, para que todos, em conjunto, com trabalhadores válidos, Governo, Associações empresariais, Autarquias e entidades privadas se lancem num vasto programa de recuperação do país, a bem de todos os portugueses.
A bem do Portugal do presente.
Mas muito mais para o Portugal do futuro.
Dr. Horácio Marçal